É uma cena que se repete em quase todos os escritórios de advocacia da região: um sócio passa anos construindo uma sólida reputação em sua área. Os clientes o procuram, as referências falam por si, e quando chega a hora de se candidatar a uma classificação como a do Chambers and Partners, todo o peso da candidatura recai, mais uma vez, sobre essa mesma pessoa. O problema surge mais tarde, quase sempre tarde demais: esse sócio se aposenta, muda de escritório ou simplesmente se torna menos ativo, e a classificação que foi construída com tanto esmero desaparece com ele.
Por que a Chambers pode classificar a equipe e não o sócio, ou vice-versa
Um fato que poucas firmas compreendem totalmente é que a Chambers pode classificar um departamento inteiro sem necessariamente classificar o sócio que o lidera, e vice-versa. Isso não é um erro por parte do conselho, mas sim uma consequência direta de como as evidências são compiladas. Se o feedback dos clientes e os casos submetidos se concentrarem em uma única pessoa, o conselho pode considerar que não há evidências suficientes do que eles chamam de “profundidade da equipe”, e é aí que o risco começa.
A profundidade da equipe não é um detalhe formal
Em termos simples, a profundidade da equipe significa que a capacidade de assessorar em assuntos complexos não depende de uma única pessoa. Isso se demonstra por meio de associados seniores que também têm contato direto com os clientes, feedbacks que mencionam mais de um advogado da equipe e um plano de sucessão claro: alguém que, quando o sócio sênior se aposentar ou se transferir para outra firma, possa manter o relacionamento e o nível de trabalho. Sem isso, o conselho tem todo o direito de fazer o que já vem fazendo com frequência crescente: manter a posição individual do sócio e rebaixar a equipe, mesmo depois de terem ocupado essa posição por vários anos consecutivos.
O que fazer com uma equipe de dez sócios (e o que não fazer)
O erro mais comum quando um escritório tem vários sócios é tentar apresentá-los todos ao mesmo tempo: um caso de cada sócio, uma longa lista de referências distribuída entre várias pessoas. O resultado é quase sempre o oposto do desejado. O feedback fica diluído, cada sócio acaba com evidências de apenas um ou dois casos, e o diretório não tem nada que permita classificar ninguém individualmente, mesmo que a equipe como um todo tenha tido um ano sólido.
A marca da firma também está em jogo
Há outra razão, menos discutida, pela qual vale a pena priorizar o ranking da equipe em detrimento do individual: quando um sócio deixa a firma, seu ranking pessoal geralmente o acompanha para sua nova posição. O ranking da equipe, no entanto, permanece. Portanto, sempre que uma firma desenvolve sua estratégia de candidatura focada exclusivamente em destacar seu sócio mais sênior, está tomando uma decisão que pode beneficiar esse indivíduo, mas deixa a firma vulnerável caso ele venha a deixar o escritório.
Construir uma equipe sólida leva tempo e, acima de tudo, requer uma decisão ativa: não candidatar todos igualmente, mas investir em evidências para aqueles que realmente podem sustentar a prática no futuro.
Por: María Sol Rubio, sócia de Gericó Associates