Esta entrevista conclui a série de conversas da Líder Legal “Brasil em 2026 e a nova lógica do mercado: a visão do big law”, uma jornada pelas visões dos sócios-diretores dos principais escritórios do país. Ao longo dessas entrevistas, uma ideia se repete, com diferentes nuances: os grandes escritórios de advocacia brasileiros estão deixando de lado reflexos automáticos para ingressar em um estágio de decisões mais conscientes, seletivas e estruturadas.
Nesse contexto, conversamos com Paula Surerus, sócia-gerente de Veirano Advogados, cuja visão combina crescimento sustentável, especialização técnica, inovação responsável e uma compreensão clara do papel da liderança na construção de cultura e reputação. Sua entrevista não funciona como um resumo da série, mas como uma confirmação das principais questões que hoje moldam o mercado jurídico brasileiro.
Crescimento focado: expandir sem diluir a identidade
O ano de 2025 marcou um momento significativo na história recente do Veirano Advogados. O escritório consolidou sua presença em projetos de alta complexidade, especialmente nas áreas de infraestrutura e contencioso estratégico, e ampliou seu alcance territorial, reforçando sua posição como um dos principais escritórios do mercado jurídico brasileiro.
A abertura de um escritório em Belo Horizonte está alinhada a essa estratégia de crescimento seletivo. Trata-se de uma resposta direta à demanda de clientes em Minas Gerais e à necessidade de oferecer suporte a transações cada vez mais sofisticadas em setores-chave da economia.
“Esta iniciativa fortalece nossa presença em um dos mercados mais importantes do país e amplia nossa capacidade de atuar em questões complexas e inovadoras.”
O foco na mineração, área em que o Veirano Advogados foi reconhecido como a melhor firma do Brasil pelo Chambers Awards 2025, ilustra bem essa estratégia: crescer onde há especialização real e uma proposta de valor claramente definida.
Tecnologia e inteligência artificial: inovação com rigor
Assim como ocorre no restante do mercado, a inteligência artificial já integra as operações diárias do Veirano Advogados. Em 2025, o escritório adotou soluções especializadas baseadas em IA para apoiar tarefas como análise de documentos, redação e tradução, com impactos diretos em eficiência e agilidade.
Paula Surerus, no entanto, introduz uma nuance que se repete em outras entrevistas da série: a tecnologia não substitui o critério jurídico.
“Cada entrega é necessariamente revisada e validada por um advogado, em um modelo de copiloto.”
A IA é concebida como uma ferramenta que amplia a qualidade e a velocidade do trabalho, sempre sob controle humano. A inovação, destaca-se, é um caminho sem volta, mas que exige responsabilidade, segurança e uma abordagem estratégica.

Um cliente que exige especialização e valor real
O perfil do cliente corporativo também se mostra alinhado às observações de outros sócios-gerentes da série. Mais informado, mais exigente e menos impressionado por estruturas genéricas, o cliente passa a valorizar cada vez mais a experiência específica dos profissionais diretamente envolvidos em cada caso.
“Mais do que a abrangência de um portfólio completo de serviços, o que é valorizado é a experiência comprovada das equipes diretamente envolvidas.”
Esse movimento obriga os escritórios de advocacia a evoluírem em eficiência, transparência e previsibilidade, além de revisarem seus modelos de honorários para que reflitam não apenas o tempo despendido, mas o valor efetivamente entregue, por meio de estruturas flexíveis e ajustadas à complexidade do trabalho.
Os criadores de negócios e os relacionamentos de longo prazo
Em um mercado altamente competitivo, Paula Surerus atribui aos profissionais de desenvolvimento de negócios um papel central, embora não isolado. Sua função vai além da geração de oportunidades: envolve a construção de relacionamentos sustentáveis, o fortalecimento da reputação técnica da firma e a garantia de coerência entre o que é prometido e o que é efetivamente entregue.
Essa abordagem dialoga com uma ideia transversal ao ciclo de entrevistas: o criador de valor em 2026 não será um perfil individualista, mas um articulador entre estratégia, equipes e expectativas do cliente.
Onde estarão as oportunidades?
Ao olhar para o horizonte até 2026, Surerus identifica oportunidades claras na área tributária, impulsionadas pela Reforma Tributária, e no direito societário, com destaque para fusões e aquisições. A área ambiental também tende a ganhar relevância, em razão do aumento das exigências regulatórias.
Ao mesmo tempo, ela ressalta a importância de manter um portfólio diversificado e uma capacidade real de adaptação.
“Oportunidades podem surgir em diferentes áreas de atuação.”
Talento, liderança feminina e cultura organizacional
O desenvolvimento e a retenção de talentos são pilares estratégicos do Veirano Advogados. A firma mantém um compromisso contínuo com a promoção interna, a formação de novos líderes e a diversidade em posições de tomada de decisão.
A presença de mulheres em cargos de liderança não é tratada como discurso institucional, mas como uma realidade concreta, refletida tanto na estrutura da organização quanto no próprio papel de Paula Surerus como sócia-gerente.
“O fortalecimento da área de Pessoas e Cultura consolida uma abordagem de gestão estruturada, voltada à sustentação do crescimento.”
Sob essa perspectiva, a liderança não se exerce pela hierarquia, mas pelo exemplo. O equilíbrio entre alto desempenho, inovação responsável e um ambiente profissional saudável integra a estratégia central da firma — e não uma agenda paralela.
Uma leitura de conjunto do mercado jurídico
Esta entrevista encerra a série Brasil em 2026, mas também permite analisá-la em perspectiva. Ao longo das conversas com os sócios-diretores das principais firmas do país, alguns consensos se destacam:
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a tecnologia é necessária, mas insuficiente sem critério;
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o cliente exige especialização, previsibilidade e valor real;
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o crescimento sustentável depende mais de foco do que de volume;
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a liderança já não é medida apenas por resultados, mas por cultura, talento e consistência.
A perspectiva de Paula Surerus sintetiza com precisão este momento do mercado. No grande direito brasileiro de 2026, liderança não será reagir mais rápido do que os outros, mas tomar decisões melhores, com ambição, responsabilidade e uma cultura capaz de sustentá-las ao longo do tempo.
A conclusão é clara: o futuro do mercado jurídico brasileiro deixou de ser improvisado. Ele está sendo construído, escritório por escritório, com planejamento, disciplina e visão de longo prazo.