Seegman é um escritório de advocacia empresarial com sede em Madri e escritório em Lisboa, especializado em direito societário, tributário, governança corporativa, mobilidade internacional e assessoria em fusões e aquisições, com carteira de clientes predominantemente internacional. Com atuação consolidada na Península Ibérica e vínculos estreitos com o mercado latino-americano, a firma tem como características centrais a fidelização de clientes e uma abordagem centrada no cliente.
O sócio-diretor Leonardo Britto explica nesta entrevista à Líder Legal os principais aspectos desse modelo e o papel que Espanha e Portugal desempenham hoje no ecossistema empresarial ibero-americano.

Um escritório que se define por seus clientes, não por suas operações
O mercado jurídico tem uma tendência natural para trabalhos pontuais: uma transação, um cliente, uma equipe. Seegman escolheu um caminho diferente. Desde sua fundação, o escritório concentrou sua atuação em algo mais difícil de construir e mais difícil de replicar: a confiança duradoura ao longo do tempo.
“A Seegman não foi construída assessorando clientes em transações pontuais, mas em relacionamentos de longo prazo e de confiança, muito focados nos negócios reais do cliente”, afirma seu sócio-diretor.
Essa filosofia tem uma tradução estrutural concreta. A firma combina práticas comerciais, societárias, tributárias, trabalhistas, de mobilidade internacional e de governança corporativa sob o mesmo teto, com sede em Madri e presença em Lisboa. Essa arquitetura foi concebida para apoiar o cliente ao longo de todo seu ciclo de vida, e não apenas em um único momento. “Esse crescimento não foi acidental; reflete uma abordagem de consultoria centrada no cliente, focada em projetos recorrentes e na entrega de soluções orientadas para os negócios.”
O cliente internacional, no centro da prática
O portfólio de Seegman é intencionalmente diversificado. Inclui empresas estrangeiras que se estabelecem na Espanha ou em Portugal, subsidiárias de grupos internacionais, empresas familiares que reorganizam seus ativos na Europa e empresários latino-americanos que ingressam no mercado ibérico. O que os une não é o setor nem o porte de suas empresas, mas uma necessidade comum: um consultor que compreenda o negócio antes de compreender as questões jurídicas.
“Trabalhamos amplamente com empresas estrangeiras que investem ou se estabelecem na Espanha ou em Portugal; com grupos internacionais que necessitam de gestão societária e tributária contínua; com empresários latino-americanos que reorganizam seus ativos ou atividades na Europa; e com clientes que buscam um consultor capaz de compreender tanto as dimensões jurídicas quanto as comerciais de suas decisões.”
A combinação de porte ágil e portfólio diversificado produz algo que o sócio-diretor considera um diferencial genuíno: “Somos uma firma que, em razão do seu tamanho e filosofia, trabalha de forma ágil e, pelo perfil diversificado de nossos clientes, consegue transferir conhecimento e experiência entre casos e setores em todo o nosso portfólio.” É essa capacidade de transportar soluções entre setores e jurisdições que seus clientes reconhecem, com uma expressão que ele prontamente incorpora: “Muitos clientes nos dizem que somos ‘pessoas engenhosas’, e eu acho que isso é verdade.”
Construindo pontes entre culturas jurídicas e empresariais
A trajetória profissional de Britto, que abrange Venezuela, Espanha e Portugal, não é um mero detalhe biográfico. Ela integra o arcabouço intelectual que Seegman traz para cada mandato. Atuar em ambientes europeus e americanos, afirma ele, “me ajuda a ter uma perspectiva transversal, a pensar em soluções abrangentes aplicáveis às jurisdições onde nossos clientes atuam.”
Essa perspectiva é especialmente relevante quando o cliente chega com uma estrutura já consolidada em outro mercado. “Quando um empresário, uma família ou uma empresa estrangeira chega à Espanha ou a Portugal, traz consigo uma estrutura e uma estratégia às quais o projeto europeu precisa se adaptar. Muitas vezes, a estrutura preexistente dita a forma como realizamos nosso trabalho.”
A partir daí, Seegman compreende seu papel: “Na firma, temos a capacidade de construir pontes entre diferentes culturas jurídicas e empresariais, e gosto de pensar que por trás dessa filosofia está parte da minha forma de entender o negócio.”
Fusões e aquisições em mercados de menor porte: quando o fator humano pesa tanto quanto o jurídico
Um dos motores de crescimento de Seegman são as fusões e aquisições de pequenas e médias empresas, especialmente aquelas com componente familiar ou internacional. Trata-se de um segmento que o mercado jurídico tende a subestimar e que tem suas próprias regras.
“Nesse tipo de transação, o componente humano, familiar ou estratégico muitas vezes tem tanto peso quanto o jurídico”, destaca Britto. A diferença em relação ao mercado de grandes empresas não se reduz ao volume: “Ao contrário das grandes transações corporativas, no mercado de empresas de menor porte o cliente costuma vivenciar a operação de forma muito direta: pode ser um negócio familiar, uma primeira venda, um investimento ou uma decisão que marca uma nova fase nos negócios.”
Essa relação próxima exige um tipo diferente de consultor. O rigor técnico por si só não basta; são necessários também “pedagogia, sensibilidade e uma visão de negócios muito prática.” E a capacidade de integrar disciplinas é decisiva nesse segmento: “Preparar adequadamente a estrutura, antecipar contingências e coordenar o processo de forma eficaz pode ser determinante para o êxito da operação.”
Três erros recorrentes no investimento estrangeiro
Em investimentos estrangeiros e reorganizações societárias, os mesmos padrões de erro se repetem independentemente da origem do cliente. O primeiro é quase instintivo: importar soluções que funcionam no país de origem. “Um dos erros mais frequentes é replicar estruturas que funcionam em outra jurisdição sem analisar se são adequadas na Espanha ou em Portugal. A proximidade e a semelhança entre os sistemas jurídicos podem ser tanto uma vantagem quanto uma desvantagem; ajudamos a traduzir as realidades jurídicas para garantir a continuidade de uma estratégia global adaptada às diferentes jurisdições envolvidas.”
O segundo erro é o do momento inadequado: “Buscar assessoria tarde demais. Em investimentos internacionais, reorganizações ou fusões e aquisições, corrigir uma estrutura mal concebida costuma ser muito mais caro do que planejá-la bem desde o início.”
E existe um terceiro, mais sutil, mas igualmente custoso: “Muitas vezes, o cliente acha que precisa de assessoria apenas na execução da primeira operação — a compra da empresa, o investimento imobiliário — e não planeja adequadamente os cenários de desinvestimento ou manutenção a médio e longo prazo.”
O corredor ibero-americano como ecossistema
A relação entre a América Latina e a Península Ibérica é um dos fenômenos mais relevantes nos mercados jurídico e imobiliário dos últimos anos. É também um foco central da atuação de Seegman, cuja presença simultânea em Madri e Lisboa permite operar nas duas portas de entrada para a Europa. Britto observa essa relação de dentro, com uma perspectiva moldada pela experiência em ambos os lados do Atlântico.
O fluxo de capital e investimento latino-americano para a Espanha (e, cada vez mais, para Portugal) é impulsionado por razões que vão muito além do aspecto financeiro: “Há fatores culturais, linguísticos, jurídicos, educacionais e de qualidade de vida que explicam essa tendência.” E está gerando um fenômeno de acumulação de patrimônio de crescente importância para escritórios especializados: “Muitas famílias latino-americanas estão internacionalizando seus ativos, diversificando investimentos, planejando a sucessão ou transferindo parte de suas vidas pessoais e profissionais para a Espanha, como uma alternativa cada vez mais comum a Miami.”
Por outro lado, Espanha e Portugal encaram a América Latina “como um mercado natural para expansão, especialmente em setores onde já existe experiência, afinidade e conhecimento compartilhado.”
A chave, conclui ele, não está em aproveitar operações isoladas, mas em compreender a dimensão completa do fenômeno: “Acredito que as maiores oportunidades serão para aqueles que souberem enxergar essa relação não como uma operação isolada, mas como um ecossistema.”
Governar de dentro muda a forma de assessorar
Poucas experiências preparam um advogado corporativo tão bem quanto estar do outro lado da mesa. O sócio-diretor atuou em conselhos de administração de empresas multinacionais, e essa experiência hoje permeia sua abordagem à consultoria em governança corporativa.
“Isso proporciona uma compreensão muito diferente de como as decisões são realmente tomadas em uma empresa. Traz uma perspectiva e um componente empresarial para o nosso relacionamento com os clientes.” Desse ponto de vista, a consultoria assume uma dimensão que vai além das normas: “Não se trata apenas de declarar o que as normas permitem ou proíbem, mas de ajudar o conselho de administração a tomar decisões bem informadas, devidamente documentadas e eficazes.”
E a prevenção, segundo sua experiência, muitas vezes chega tarde demais: “Boa parte dos problemas de governança corporativa não decorre de grandes decisões estratégicas, mas da falta de ordem e rigor nos procedimentos internos.”
Para onde Seegman caminha: mais internacional, mais digital, mais focada
A ligação de Britto com o meio acadêmico (primeiro como aluno e depois como professor na Espanha) lhe confere uma perspectiva singular sobre a transformação da advocacia. Sua avaliação do impacto da inteligência artificial na profissão é uma das mais diretas já registradas no setor: “A IA reduziu consideravelmente o valor do conhecimento jurídico para os advogados, tornando o desenvolvimento de competências complementares um desafio e um compromisso ainda maiores para as novas gerações.”
Ele prefere falar de ferramentas em vez de habilidades, e algumas são as usuais: “disciplina, rigor técnico, atenção aos detalhes e foco em objetivos.” Mas há outras que fazem a diferença na advocacia atual: “compreender o negócio do cliente para enxergar o problema como um todo, não apenas os aspectos jurídicos; apoiar a solução abrangente, não apenas executar bem o trabalho jurídico. Além disso, o domínio de ferramentas de IA que maximizam a produtividade.”
É precisamente essa visão que define a direção de Seegman. Não um escritório que cresce acumulando contratos, mas um que evolui em sintonia com as reais necessidades de seus clientes. “Queremos ser a firma que nossos clientes precisam, otimizada por meio de processos com suporte de IA, cada vez mais internacional e rentável e, acima de tudo, focada em soluções que agreguem valor aos negócios de nossos clientes.”