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Carlos Silva, do LaborLab, afirma: “A legislação trabalhista em 2026 exige menos reação e mais discernimento”.

Prevenção em vez de reação, tecnologia aplicada com bom senso e profundo conhecimento do mercado de trabalho latino-americano. Carlos Silva, sócio-gerente da LaborLab, explica como a empresa se prepara para 2026 ao integrar, de forma responsável, a inteligência artificial, fortalecer um modelo de trabalho 360º e apoiar empresas multinacionais em um contexto de maior rigor regulatório, investimentos transfronteiriços e uma gestão de talentos cada vez mais exigente.

Por Heidi Maldonado

O direito do trabalho já não se define apenas por regulamentos escritos, mas pela forma como as empresas tomam decisões no dia a dia. Em um contexto de maior escrutínio, constantes alterações regulatórias e operações cada vez mais transfronteiriças, a margem de erro é mínima, e o bom senso passa a ser um ativo estratégico.

Carlos Silva, sócio-gerente do LaborLab em El Salvador, observa o ano de 2026 sob essa perspectiva. Longe de uma retórica tecnológica grandiosa, sua abordagem combina prevenção, profunda compreensão do ambiente regulatório e o uso responsável da inteligência artificial como ferramenta de apoio ao trabalho jurídico. Sua visão privilegia a antecipação, a organização e o suporte às empresas diante de cenários trabalhistas cada vez mais complexos.

Esta entrevista integra a reportagem especial Líderes 2026: Visão e Desafios para Escritórios de Advocacia, uma série que busca compreender como pensam os líderes de escritórios de advocacia em um momento de profunda transformação. No caso de Silva, a conversa se concentra em um ambiente de trabalho cada vez mais exigente, no qual eficiência, controle de qualidade e visão de negócios precisam avançar no mesmo ritmo.

Inteligência artificial: apoio ao advogado, não substituição

A integração da inteligência artificial na LaborLab vem sendo conduzida com cautela e responsabilidade. “Até 2026, nossa abordagem à inteligência artificial será gradual e criteriosa, sempre priorizando o controle de qualidade e a proteção de informações sensíveis”, explica Carlos Silva.

Na visão do escritório, a IA tem um papel bem definido no trabalho jurídico. “Na LaborLab, enxergamos a IA como uma ferramenta de apoio ao advogado, semelhante a um assistente jurídico.” As soluções tecnológicas são utilizadas em investigações preliminares, na organização de informações, na elaboração de minutas e na comparação de cenários, sempre dentro de limites claramente estabelecidos.

“O julgamento jurídico, a tomada de decisões e a definição da estratégia permanecem integralmente humanos e não podem ser substituídos”.

Atualmente, o escritório já recorre a ferramentas de pesquisa jurídica e análise de jurisprudência para identificar tendências relevantes e decisões judiciais. “Isso nos poupa tempo na etapa técnica, mas a análise crítica e a validação final sempre passam pelo advogado responsável.” A IA também auxilia na organização e na estruturação de ideias. “Em todos os casos, o conteúdo final e a responsabilidade permanecem nossos”.

Um modelo de trabalho 360º, baseado em prevenção e consistência

Quando Silva fala em inovação, não se refere a soluções isoladas. “Nossa principal aposta não está em um produto específico, mas em um modelo de serviço integrado”, explica. Trata-se de um modelo ancorado em uma premissa clara:

“Hoje, o direito do trabalho é regido tanto pela jurisprudência e pelos critérios administrativos quanto pela legislação escrita”.

Esse monitoramento contínuo do ambiente regulatório permite uma atuação proativa. “Ajustamos manuais, procedimentos de recursos humanos e diretrizes internas e, ao mesmo tempo, alinhamos a estratégia jurídica que será sustentada em juízo.” O objetivo é corrigir potenciais distorções antes que se transformem em conflitos, e não apenas reagir quando o problema já está instalado.

A abordagem prática é uma das marcas do escritório. “Não apresentamos ao cliente análises teóricas do problema; propomos soluções claras e aplicáveis, acompanhadas de treinamento.” Em um ambiente de trabalho cada vez mais exigente, clareza e aplicabilidade tornam-se essenciais.

Um ambiente mais exigente, mas repleto de oportunidades

Ao projetar o cenário de 2026, Silva antevê um ambiente econômico e regulatório mais complexo, tanto em El Salvador quanto em outros países da América Latina. “Além de reformas legais específicas, observamos uma tendência clara de elevação dos padrões de conformidade trabalhista e de maior fiscalização da gestão de recursos humanos”.

A evolução da jurisprudência e dos critérios administrativos vem redefinindo práticas antes consolidadas, obrigando as empresas a revisar processos internos, manuais e políticas de recursos humanos para mitigar riscos. Ao mesmo tempo, esse contexto abre oportunidades relevantes. “Temos observado um aumento no número de clientes residentes nos Estados Unidos interessados em investir no México, especialmente em empreendimentos imobiliários e em novos negócios”.

Esse dinamismo reforça a necessidade de apoiar as empresas desde as fases iniciais, com estruturas trabalhistas sólidas e preventivas.

Crescer com controle: alianças e expansão seletiva

A estratégia de crescimento da LaborLab não passa pela abertura acelerada de escritórios. “Nossa expansão geográfica, nos próximos 12 a 18 meses, baseia-se em alianças estratégicas, e não em um crescimento físico desordenado”.

Relacionamentos internacionais construídos ao longo dos últimos anos vêm se convertendo em alianças mais estruturadas. A integração à rede internacional LAWorld fortalece a capacidade do escritório de oferecer assessoria jurídica coordenada a clientes multinacionais, assegurando consistência e qualidade em diferentes jurisdições.

Paralelamente, a empresa reforçou alianças estratégicas nos Estados Unidos, especialmente em Houston. “É uma localização natural para empresas e investidores com interesses em El Salvador.” A partir desse eixo, a LaborLab apoia tanto empresas quanto membros da diáspora interessados em estruturar ou desenvolver projetos no país.

Legaltech, compliance e critério jurídico

O diferencial da LaborLab está na integração responsável da tecnologia. Em nível pessoal, Silva reforça essa visão com formação especializada. “Atualmente, estou concluindo um mestrado na Universidade Europeia de Madrid, com foco em legaltech”.

Na prática, a tecnologia é utilizada como instrumento de fortalecimento preventivo da conformidade trabalhista. “Monitoramos continuamente alterações regulatórias, administrativas e jurisprudenciais, o que nos permite identificar mudanças relevantes e antecipar riscos.” Esse acompanhamento se traduz em recomendações objetivas, como ajustes em manuais internos, políticas de recursos humanos e processos disciplinares alinhados à legislação vigente.

Alto volume, os mesmos requisitos

Até 2026, o escritório se prepara para um aumento da demanda, sobretudo de clientes internacionais. “Um dos nossos principais focos será aprimorar os processos internos para responder a uma demanda maior e mais diversificada”.

A otimização operacional permitirá que a equipe sênior concentre mais tempo em análise, tomada de decisão e consultoria estratégica. Ao mesmo tempo, o reforço da atuação preventiva tende a reduzir o volume de demandas reativas. Internamente, o crescimento da equipe será gradual.

“Os jovens talentos não apenas contribuem para a execução, mas também introduzem novas formas de organizar o trabalho, otimizar processos e desafiar a inércia”.

As áreas que definirão 2026

Silva identifica um crescimento consistente em áreas relacionadas à formalização empresarial. A constituição de empresas, especialmente sociedades anônimas simplificadas, vem ampliando a demanda por consultoria empresarial e trabalhista desde as fases iniciais.

Projeta-se também um avanço sustentado da conformidade corporativa e trabalhista, impulsionado por regulamentações cada vez mais rigorosas. Soma-se a isso o crescimento do setor notarial, em especial nas operações imobiliárias ligadas a investimentos nacionais e estrangeiros.

Ao final da conversa, a ideia central se impõe com clareza: em 2026, o direito do trabalho exigirá menos improvisação e mais antecipação, menos reação e mais leitura estratégica do ambiente. Para Carlos Silva, a tecnologia é uma aliada necessária, mas jamais o foco principal. O valor continuará residindo no discernimento do advogado, na prevenção bem estruturada e na capacidade de oferecer suporte consistente às empresas em contextos cada vez mais complexos.

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