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IA de agentes marcará a próxima grande transformação nos negócios: as organizações precisarão migrar da automação de tarefas para a orquestração de operações inteligentes

Por Heidi Maldonado

A próxima grande disrupção nos negócios já está em curso. A inteligência artificial agética, uma evolução que permite a interação coordenada de múltiplos agentes inteligentes capazes de analisar informações, tomar decisões, executar ações e aprender continuamente, está transformando a maneira como as organizações operam, inovam e criam valor.

Isso é revelado no relatório Agent AI : Orchestrating Intelligent Operations, desenvolvido pela Harvard Business Review Analytic Services em colaboração com a Deloitte, que analisa como essa nova geração de inteligência artificial está impulsionando uma transição de modelos de automação tradicionais para sistemas empresariais capazes de executar processos completos de forma autônoma, com supervisão humana estratégica e uma capacidade sem precedentes de adaptação a ambientes dinâmicos.

Ao contrário da automação convencional, que se concentra em tarefas específicas e isoladas, a IA agética permite a orquestração de múltiplos agentes especializados que colaboram para atingir objetivos de negócios, gerenciando processos do início ao fim. Isso abre oportunidades para redesenhar completamente as operações em áreas como recursos humanos, finanças, atendimento ao cliente, cadeia de suprimentos, tecnologia e vendas, entre outras.

A pesquisa destaca que o impacto potencial dessa tecnologia não se limita à eficiência operacional. Organizações líderes estão começando a usar IA proativa para acelerar o desenvolvimento de novos produtos, aprimorar as experiências de clientes e funcionários, fortalecer a tomada de decisões e criar modelos de negócios totalmente novos.

No entanto, o estudo também alerta que a adoção dessa tecnologia apresenta desafios significativos. Muitas iniciativas fracassam porque as empresas concentram seus esforços exclusivamente na redução de custos, em vez de empreender uma transformação operacional abrangente que considere processos, dados, governança corporativa, cultura organizacional e a evolução do talento humano.

Segundo o relatório, um dos principais obstáculos é que a maioria dos processos de negócios atuais foi projetada para pessoas, e não para sistemas autônomos. Consequentemente, as organizações precisam redefinir fluxos de trabalho, modernizar suas plataformas tecnológicas, aprimorar a qualidade dos dados e desenvolver novas capacidades de monitoramento e controle antes de expandir a implementação de agentes inteligentes.

“A IA Agente representa uma mudança de paradigma comparável às grandes revoluções tecnológicas que transformaram os negócios modernos. Pela primeira vez, as organizações têm a oportunidade de evoluir de modelos baseados em tarefas individuais para operações inteligentes capazes de coordenar decisões, processos e conhecimento em tempo real. A verdadeira vantagem competitiva não estará apenas na adoção da tecnologia, mas na capacidade de integrá-la estrategicamente aos negócios para gerar valor sustentável, inovação e crescimento”, afirmou Carolina Botero, sócia-líder de operações da Deloitte para a América Latina Espanhola.

Da Automação à Orquestração Empresarial

A pesquisa identifica uma transformação fundamental na forma como as organizações precisarão entender a inteligência artificial nos próximos anos. Até agora, a maioria dos projetos de automação se concentrava na otimização de atividades específicas. A IA agente, por outro lado, permite o desenvolvimento de fluxos de trabalho autônomos capazes de coordenar múltiplos sistemas, processos e atores em uma única operação.

Por exemplo, um processo de aquisição de talentos pode evoluir de uma dependência de atividades isoladas para se tornar uma cadeia operacional automatizada, onde diferentes agentes inteligentes colaboram para gerar registros em recursos humanos, fornecer ferramentas tecnológicas, ativar processos de folha de pagamento, coordenar treinamentos e monitorar o desempenho, tudo dentro da mesma arquitetura inteligente.

Essa abordagem exige que as organizações comecem a pensar menos em automatizar tarefas e mais em redesenhar funções empresariais inteiras, tornando a IA ativa um facilitador da transformação organizacional e não simplesmente uma ferramenta tecnológica.

Governança, confiança e supervisão humana: fatores críticos para o sucesso

À medida que os sistemas autônomos adquirem maior capacidade de tomada de decisão, a governança emerge como uma das questões mais relevantes para as organizações. O relatório destaca que as empresas precisarão definir claramente quais decisões podem ser delegadas a agentes inteligentes e quais continuarão exigindo intervenção humana, especialmente em setores regulamentados ou em processos onde a rastreabilidade, a transparência e a compreensão das decisões são cruciais.

Construir confiança também será crucial para a adoção dessa tecnologia. As organizações mais bem-sucedidas serão aquelas que implementarem modelos colaborativos entre pessoas e agentes inteligentes, onde a IA funciona como um suporte para a tomada de decisões e não como uma substituição completa do julgamento humano.

O estudo também aponta para a necessidade de desenvolver novos esquemas de monitoramento contínuo que evoluam de modelos com revisão humana permanente para ambientes onde a intervenção se concentra em exceções ou situações de risco, mantendo sempre controles adequados.

“Estamos entrando em uma era em que a vantagem competitiva dependerá cada vez mais da capacidade de orquestrar ecossistemas digitais compostos por pessoas, dados e agentes inteligentes. As organizações que conseguirem estabelecer estruturas sólidas de governança, confiança e colaboração serão as que colherão os maiores benefícios da IA orientada a agentes. Mais do que uma tendência tecnológica, estamos diante de uma nova forma de operar e criar valor para os negócios”, afirmou Carlos Labanda, sócio líder de Inteligência Artificial e Dados da Deloitte Espanha América Latina.

O surgimento de novos parceiros estratégicos para a era da IA

A pesquisa conclui que nenhuma organização consegue navegar sozinha por esse processo de transformação. Nesse contexto, está surgindo uma nova geração de provedores de serviços que não se limitam mais a implementar tecnologia, mas atuam como orquestradores de ecossistemas de negócios inteligentes, apoiando as organizações na definição de estratégias, implantação de agentes, transformação de processos, monitoramento contínuo e otimização constante de resultados.

Segundo a Deloitte, as empresas que adotarem uma visão estratégica de longo prazo e desenvolverem modelos operacionais preparados para a coexistência do talento humano e da inteligência artificial estarão em melhor posição para aproveitar os benefícios dessa nova revolução tecnológica, que promete redefinir a produtividade, impulsionar a inovação e acelerar o crescimento dos negócios na próxima década.

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