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Chambers NewLaw 2026: A Espanha domina a estreia do ranking europeu com cinco das oito firmas classificadas

Ambar, Lawyers for Projects, Abroading, Andersen, Legal Army, PwC Tax & Legal, Afiens, FYR Legal, KPMG Abogados, Deloitte Legal e Ecija são reconhecidas em uma edição que, pela primeira vez, inclui um ranking regional europeu e coloca a Espanha como o mercado de ALSPs (prestadores alternativos de serviços jurídicos) mais representado no continente

Por Heidi Maldonado

Por Heidi Maldonado


 

Cinco das oito firmas classificadas no novo ranking europeu da Chambers são espanholas. Ambar é o destaque deste ano, conquistando as primeiras posições nas três categorias geográficas (global, europeia e espanhola), enquanto PwC Tax & Legal alcançou o ouro no mercado doméstico e Ecija garantiu sua posição única na categoria global de Consultoria em Transformação Jurídica pelo terceiro ano consecutivo.

O ranking europeu, a grande notícia

A inovação estrutural desta edição é a criação do ranking europeu, que pela primeira vez oferece uma classificação regional independente para prestadores alternativos de serviços jurídicos (ALSPs). Nesta categoria, Ambar e Lawyers for Projects conquistam o primeiro lugar, com Abroading, Andersen e KPMG Abogados empatadas em segundo lugar. O fato de cinco das oito firmas classificadas serem espanholas é significativo: reflete que o segmento espanhol de ALSPs atingiu maturidade suficiente para competir com firmas equivalentes em todo o continente.

O mapa global

No ranking global, com prêmios em 19 categorias, estão incluídas as seguintes empresas: Ambar, Lawyers for Projects, Abroading, Andersen, Deloitte Legal, Ecija e KPMG Abogados. Na categoria individual de consultoria para a transformação do setor jurídico, o prêmio máximo foi para Eugenia Navarro, da consultoria Lois, e Paul Handal, de Deloitte Legal.

Movimentos no ranking espanhol

O desenvolvimento mais significativo no ranking espanhol é a ascensão de PwC Tax & Legal à Banda Ouro, juntando-se a Abroading, Afiens, Ambar e Legal Army.
Andersen e Lois entram no ranking pela primeira vez, em segundo lugar. Francisco González Fernández-Mellado, sócio responsável pela NewLaw em PwC Tax & Legal, interpreta isso como “prova de que o mercado valoriza nosso compromisso estratégico com a inovação e com o desenvolvimento de serviços jurídicos e tributários diferenciados, que combinam nossas competências tradicionais com o efeito multiplicador e o poder transformador da tecnologia”. Também entram para a Banda Ouro do ranking espanhol Laia Moncosí e Raquel Arenas, de Lawyers for Projects; Teresa Forcada, de FYR Legal; e Noemí Brito, de KPMG Abogados, que se juntam a David Rodríguez (FYR Legal) e Santiago Torrejón (Ayerta Legal), já reconhecidos na edição anterior.

Na edição de 2024, PwC Tax & Legal, KPMG Abogados, Lawyers for Projects e Samaniego Law ocuparam a segunda posição no ranking espanhol, enquanto Attolon Law e FYR Legal apareceram na Banda 3 em sua primeira participação. A ascensão de PwC ao Ouro e a entrada de FYR Legal na Banda 2 nesta edição são as mudanças mais significativas em comparação com o ranking anterior.

Os destaques individuais

Na categoria individual do ranking espanhol, Manuel Deó e Rosa Espín, cofundadores de Ambar, mantêm o primeiro lugar, juntamente com Irma Cebrián, de Abroading. Natalia Martos, CEO de Legal Army, está incluída na Banda 1 da categoria Individual – NewLaw, um reconhecimento que a Chambers baseia em entrevistas com clientes e em critérios como capacidade técnica, serviço e valor. “Este reconhecimento tem um valor que vai além do simbólico”, destaca Martos. “Ele sinaliza que uma forma diferente de praticar o direito, mais próxima dos negócios, mais conectada à tecnologia e mais focada em fornecer soluções práticas, está sendo observada e valorizada pelo mercado. A assessoria jurídica deve ser tecnicamente excelente, estrategicamente clara e operacionalmente útil.”

Legal Army também ocupa a Banda 1 na categoria de Prestadores Alternativos de Serviços Jurídicos na Espanha, com um perfil focado em direito digital, privacidade, segurança cibernética e contratos de tecnologia.

Em 2024, Martos foi reconhecida na Banda 2 na categoria individual, tornando sua promoção para a Banda 1 nesta edição um dos avanços individuais mais significativos do ranking. Naquele ano, a banda mais alta foi concedida a Lorena Salamanca, de Afiens, juntamente com Manuel Deó, Rosa Espín e Silvia Perea (então em Abroading, agora em Andersen), o que também ilustra a mobilidade de talentos que caracteriza o segmento espanhol de ALSPs.

Ecija, três anos consecutivos sozinha

Ecija consolida uma posição única: é a única firma espanhola classificada no guia global na categoria de Consultoria em Transformação Jurídica, e o faz pelo terceiro ano consecutivo na Banda 1. A Chambers descreve a firma como referência no uso de tecnologia avançada e inteligência artificial aplicada ao direito, e destaca Alejandro Touriño, sócio-diretor, como figura-chave dessa prática por sua combinação de visão jurídica e tecnológica com uma abordagem prática e estratégica.

Uma posição consolidada

Os resultados gerais revelam um mercado espanhol de ALSPs (prestadores alternativos de serviços jurídicos) que deixou de ser periférico no ecossistema europeu. A concentração das posições de liderança em empresas locais sugere que os modelos de especialização e de redes de talentos desenvolvidos na Espanha nos últimos anos agora contam com um parâmetro externo que os valida. Isso contrasta com as estruturas globais ou anglo-saxônicas que dominam rankings equivalentes em outros mercados.

Para Guillermo Ranilla, diretor de desenvolvimento de negócios de FYR Legal, “este reconhecimento tem um significado que transcende o orgulho de figurar em um ranking de referência. Representa a confirmação da evolução e da maturidade de um modelo de prestação de serviços jurídicos que exige especialização, inovação e melhoria contínua.”

Por sua vez, Deó e Espín, de Ambar, colocam o resultado numa perspectiva mais estrutural: “A Chambers está agora a reconhecer uma realidade que temos vindo a construir há anos. A Ambar não é uma alternativa ao modelo tradicional; é a infraestrutura sobre a qual se desenvolverá a próxima geração de carreiras jurídicas.”
Silvia Perea, de Andersen, acrescenta uma perspectiva sobre o ritmo das mudanças: “Obter esse reconhecimento em menos de um ano desde o início da prática NewLaw da Andersen demonstra a velocidade com que o mercado jurídico está evoluindo e a necessidade de soluções mais flexíveis, tecnológicas e orientadas para os negócios.”

O mercado que explica os resultados

O ranking desta edição não pode ser compreendido sem considerar o contexto em que as firmas classificadas atuam. O mercado jurídico espanhol está passando por uma transformação impulsionada pela convergência de diversos fatores simultâneos: a aceleração da regulamentação europeia (com a Lei de Inteligência Artificial, o NIS2, a DORA e a Diretiva CSRD como principais impulsionadores), a crescente adoção da inteligência artificial nas operações jurídicas, a internacionalização das empresas espanholas e uma profunda mudança nas expectativas dos profissionais do direito.

O efeito mais visível dessa transformação é o afastamento gradual dos profissionais do direito das estruturas tradicionais. Durante décadas, o acesso a assessoria jurídica de alto nível esteve atrelado a grandes escritórios. Hoje, advogados experientes optam por modelos mais flexíveis que lhes permitem concentrar-se em sua especialização e atuar em diferentes jurisdições. Paralelamente, os clientes tornaram-se mais seletivos: já não priorizam apenas o tamanho ou a marca da organização, mas sim a capacidade de resposta, o conhecimento específico do setor e a proximidade com as operações diárias de seus negócios.

A inteligência artificial está acelerando essa mudança. À medida que o trabalho rotineiro se automatiza, o valor dos profissionais jurídicos se concentra em áreas que a tecnologia não consegue replicar facilmente: julgamento estratégico, negociação, gestão de stakeholders e avaliação de riscos em ambientes regulatórios complexos. Os departamentos jurídicos corporativos buscam cada vez mais advogados que possam atuar como parceiros de negócios confiáveis, e não como especialistas técnicos isolados.

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