O Foro Gerencias Legales Bogotá 2026,, realizado no Metropolitan Club de Bogotá e organizado pela Gericó Associates, reuniu diretores jurídicos, conselheiros jurídicos e especialistas de empresas líderes como CEMEX, COMCEL, Ecopetrol, Toyota, Pepsico e Colgas para analisar como a regulamentação, a transformação digital e os novos riscos estão redefinindo o papel da função jurídica nas organizações.

A mensagem que ressoou ao longo do dia foi clara: os departamentos jurídicos não se contentam mais em simplesmente reagir aos problemas à medida que surgem. Hoje, buscam antecipá-los, influenciar a estratégia e demonstrar que o direito também pode ser um motor de competitividade.
O evento foi patrocinado pelos escritórios de advocacia Esguerra JHR, Akerman, Pinilla, González & Prieto, McDermott Will & Emery, Bigle, Fabio Humar Abogados, Posse Herrera Ruiz, OlarteMoure e King Salomón, que apoiaram um espaço de debate focado nos principais desafios jurídicos do ambiente de negócios na Colômbia e na América Latina.
A tecnologia, em particular, foi tema de intenso debate. Isso se deveu não apenas às suas implicações regulatórias, mas também à pressão que exerce sobre as estruturas jurídicas que, em muitos casos, ainda não se adaptaram completamente ao ritmo digital.

Erick Castellanos, Consultor Jurídico Sênior da Ecopetrol, destacou: “A área jurídica desempenha um papel fundamental em organizações altamente regulamentadas, onde deve não apenas garantir a conformidade, mas também se adaptar a ambientes em constante mudança e apoiar estrategicamente o negócio.”
Guillermo Poveda, Diretor de Assuntos Jurídicos e Compliance para as Américas da Xebia, foi direto: “A função jurídica precisa estar muito mais ativamente integrada à evolução tecnológica dos negócios, compreendendo os processos, antecipando riscos e apoiando a tomada de decisões em ambientes digitais cada vez mais complexos.”
O dia também reservou um espaço para refletir sobre o papel do advogado interno e como ele vem se transformando nos últimos anos: de consultor técnico a interlocutor de negócios, com uma perspectiva cada vez mais transversal.
Jorge Castillo, Diretor Jurídico (Conselheiro Geral) e de Relações com o Cliente da Automotores Toyota, expressou isso claramente: “A área jurídica deve participar ativamente da estratégia de negócios e do relacionamento com os clientes, consolidando-se como um parceiro fundamental dentro da organização e não apenas como uma função de apoio.”
A conformidade corporativa ocupou grande parte das discussões, e não por acaso: sua transformação de uma obrigação regulatória em uma alavanca estratégica foi um dos temas centrais do dia.
Felipe Payán, Consultor Jurídico Sênior e Diretor de Compliance da Avaya, resumiu da seguinte forma: “O compliance corporativo evoluiu para um elemento estratégico dentro das organizações, não apenas para a gestão de riscos, mas também como um verdadeiro valor agregado que contribui para o posicionamento de mercado e a competitividade. Além disso, fóruns como este são essenciais para a troca de experiências e conhecimento; contar com painelistas deste calibre e uma organização excepcional eleva significativamente a qualidade da discussão.”
A gestão preventiva de riscos foi outra área de grande convergência, com vozes vindas principalmente dos setores industrial e de infraestrutura, onde erros de antecipação têm consequências particularmente dispendiosas.

Martín Posada, Diretor Jurídico e de Compliance para o Norte da América do Sul do Bureau Veritas Group, afirmou: “É fundamental antecipar riscos sob a perspectiva da gestão jurídica, integrando a análise jurídica às operações comerciais e fortalecendo a capacidade preventiva das organizações.”
Juan Arévalo, Gerente Jurídico da Área Jurídica e de Compliance das Operações Comerciais da Scania, compartilhou uma visão semelhante: “É essencial alcançar uma maior integração entre as áreas jurídica e operacional, para que a tomada de decisões seja mais eficiente e alinhada à gestão de riscos da empresa.”
Mas talvez o que os participantes mais valorizaram não tenha sido nenhum conteúdo específico, mas sim a oportunidade de conversar com colegas que enfrentam desafios semelhantes em contextos diferentes. Essa troca, difícil de replicar em outros formatos, provou ser, para muitos, o verdadeiro valor do fórum.
A diversidade de setores representados — energia, tecnologia, automotivo, indústria e serviços — enriqueceu o debate e evidenciou algo que talvez já se suspeitasse, mas que o fórum confirmou: a complexidade do ambiente empresarial já não distingue entre setores. Os departamentos jurídicos, em todos eles, são obrigados a evoluir a um ritmo que antes lhes era estranho.
Esta edição do Foro Gerencias Legales Bogotá 2026, também envia um sinal claro sobre seu próprio lugar no ecossistema jurídico regional: tornou-se um evento de referência para aqueles que lideram funções jurídicas na América Latina, em um momento em que a regulamentação, a tecnologia e a sustentabilidade estão reescrevendo as regras por dentro.
Bogotá está, assim, se consolidando como um polo fundamental para a análise das tendências jurídicas que moldarão o futuro da região, com crescente destaque das áreas do direito na competitividade e no crescimento das empresas.