Foro de Gerencias Legales 2026, em Monterrey, organizado pela Gericó Associates e realizado na quinta-feira, 26 de fevereiro, no Tecnológico de Monterrey, reuniu alguns dos principais gestores jurídicos corporativos do país e da região, consolidando-se como um espaço de referência para a análise do papel estratégico das áreas jurídicas na economia contemporânea.
Ao longo do dia, foram abordados temas relevantes como relocalização industrial, transformação digital das áreas jurídicas, compliance e ESG, arbitragem internacional e governança corporativa, com a participação de executivos de empresas multinacionais, sócios de escritórios de advocacia de destaque e representantes institucionais.

O evento contou com o patrocínio de Akerman, Hogan Lovells, Santamarina + Steta, Holland & Knight, Pérez-Llorca, Bigle e Ferran Martínez Abogados. Também recebeu apoio institucional do Tecnológico de Monterrey, do Centro Mexicano de Arbitragem e da Abogadas MX.
Um dos principais pontos de consenso no fórum foi a evolução do papel do departamento jurídico corporativo: de uma função reativa para a de parceiro estratégico de negócios.
Guillermo González Frankenberger, sócio da Hogan Lovells, destacou a importância do encontro para a compreensão das reais necessidades das empresas:
“O Fórum foi muito útil e ampliou minha perspectiva como consultor externo de empresas, pois me permitiu compreender a necessidade que elas têm de advogados que entendam suas operações específicas. Em outras palavras, é fundamental identificar as particularidades de cada setor em que atuam nossos clientes, uma vez que os desafios enfrentados por cada empresa são distintos. O evento também me proporcionou a oportunidade de reencontrar amigos e colegas, trocar opiniões e manter-me atualizado sobre temas como inteligência artificial e conformidade regulatória. Dada a dinâmica dessas áreas atualmente, é essencial participar continuamente de fóruns como este.”

Na mesma linha, Rodrigo Flores, chefe de Assuntos Jurídicos, Propriedade Intelectual e Compliance da Covestro no México, enfatizou a necessidade de novos modelos de gestão:
“Não podemos continuar operando sob modelos tradicionais em um ambiente de hiper-regulação e orçamentos estagnados. A liderança jurídica consiste em gerar segurança em contextos de elevada incerteza.”
Oswaldo Arriaga, consultor jurídico para a América Latina da H&M, ressaltou a urgência de adaptação às mudanças estruturais na região:
“Precisamos iniciar conversas que nos permitam construir áreas mais estratégicas e influentes, muito mais conectadas ao futuro do negócio.”
A digitalização da área jurídica foi um dos temas mais debatidos. Víctor Céspedes, consultor de legaltech e IA da Bigle, destacou o caráter regional da troca de experiências:
“Este evento oferece a oportunidade de conhecer gestores jurídicos e sócios de grandes escritórios de advocacia no México e na América Latina, além de aprender sobre IA, operações jurídicas, arbitragem e outros temas de grande relevância, e de compreender como pensam os advogados e departamentos jurídicos da região.”
Carlos Valenciano, vice-presidente de Assuntos Jurídicos para a América Latina Norte e Caribe, enfatizou a profunda transformação da função jurídica:
“O papel da área jurídica está evoluindo da gestão de riscos para a antecipação de cenários e o apoio à tomada de decisões estratégicas. As operações jurídicas e a inteligência artificial estão transformando processos por meio de automação inteligente, análise preditiva e redução dos tempos de resposta, mas sua adoção exige estruturas robustas de governança, privacidade e ética. Além disso, o alinhamento da área jurídica com os produtos, os negócios e a conformidade é fundamental para viabilizar iniciativas como a relocalização de serviços para países próximos (nearshoring) e a expansão regional”.
Rebeca Morán, gerente da CEMEX, compartilhou experiências concretas de inovação interna:
“Esta é minha primeira participação, e tive interesse em compartilhar o que temos feito em termos de inovação, como a implementação de sistemas de gestão de contratos e o uso de inteligência artificial em plataformas de ‘circuito fechado’.”
Outro tema central foi a arbitragem internacional, vista como ferramenta fundamental para a competitividade empresarial.
Carlos Brehm, sócio da Santamarina + Steta, resumiu as principais lições extraídas do encontro:
“Os três principais pontos que destaco são, em primeiro lugar, a oportunidade de interagir com profissionais de alto nível e com vasto conhecimento na área. Em segundo lugar, que, atualmente, na arbitragem, não nos concentramos apenas nas regras, mas vamos além delas, considerando também questões de interesse das partes envolvidas, como tecnologia e as implicações da cibersegurança. Por fim, que os advogados estão cada vez mais atentos aos custos e à complexidade que determinados casos podem acarretar, bem como à necessidade de as empresas avaliarem a arbitragem como uma opção efetiva de resolução de disputas.”
Camilo Vázquez, presidente do Comitê de Arbitragem da ICC Nuevo León, destacou a importância da eficiência processual:
“As empresas necessitam de arbitragens com controle de tempo e custos, que sejam não apenas tecnicamente sofisticadas, mas também operacionalmente eficientes. A eficiência da arbitragem não começa com o pedido, mas com a redação da cláusula compromissória.”

Representando o setor público, Javier Navarro Velasco, secretário-geral do Governo do Estado de Nuevo León, enfatizou o impacto econômico dos mecanismos alternativos de resolução de disputas:
“O uso da arbitragem e da mediação comercial traz benefícios diretos para a comunidade empresarial nacional e internacional, promovendo uma cultura de prevenção de conflitos. Quando o setor público compreende a lógica empresarial e os departamentos jurídicos entendem a arquitetura institucional, o atrito diminui, resultando em maior competitividade regional.”
Marc Gericó, sócio-gerente global da Gericó Associates, concluiu que “a inteligência individual não muda as estruturas. O que as transforma é o pensamento coletivo entre os tomadores de decisão. Legal Management Forum 2026 eleva o debate jurídico na América Latina e consolida o diretor jurídico como um verdadeiro arquiteto estratégico dentro das organizações.”
Foro de Gerencias Legales 2026, em Monterrey, confirmou a crescente relevância dos departamentos jurídicos como facilitadores de negócios, especialmente em um ambiente marcado por incertezas regulatórias, tecnológicas e geopolíticas.
A participação de empresas dos setores industrial, tecnológico, de bens de consumo e de energia, juntamente com firmas globais e organizações especializadas, reforçou o papel de Monterrey como um polo jurídico-empresarial na América Latina.