Em meio a um mundo onde grandes fusões e aquisições estão ganhando força, a Colômbia continua no radar dos investidores. Apesar da cautela global, o país continua sendo um dos mercados mais ativos da região, sendo o segundo país da América Latina com maior capital mobilizado, depois do Brasil. E embora o número de transações tenha diminuído, o valor total das transações aumentou, o mercado está sendo mais seletivo e apostando em operações estratégicas de maior impacto.
O segmento de mercado intermediário, líder em operações ágeis
A maior parte da atividade continua concentrada no mercado médio, ou seja, empresas de médio porte com operações ágeis e estruturas claras, o que facilita prazos de fechamento razoáveis e ajustados às expectativas das partes. É nesse segmento que hoje se observa maior profundidade e previsibilidade, o que o torna especialmente atraente para os investidores. O risco macroeconômico é gerenciado a partir do contrato, diante da incerteza e com a intenção de distribuir os riscos em um ambiente volátil, cresce o uso de mecanismos de ajuste de preço no fechamento e dos chamados pagamentos contingentes, mecanismos que permitem pagar uma parte do preço dependendo do desempenho futuro da empresa. Além do contexto macroeconômico, fica claro que as operações bem-sucedidas são aquelas que são estruturadas e executadas de forma eficiente desde as etapas iniciais, com comunicação clara entre as partes. O fechamento de transações que não atendem a esse padrão tende a se prolongar ou não ocorrer, mesmo quando há interesse econômico.
Prevê-se uma reativação gradual da realização de negócios
Para 2026, as análises internacionais antecipam uma reativação gradual das negociações, ou seja, do ciclo de negociação e fechamento de transações, impulsionada por uma maior estabilidade macroeconômica e por uma possível queda nas taxas de juros. De acordo com Juan Camilo Rodríguez, sócio líder da área Corporativa e M&A da CMS Rodríguez-Azuero, “em nível global, veremos mais exclusões, a venda de unidades de negócios que não são mais estratégicas e desinvestimentos, com empresas liberando capital para se concentrarem em sua atividade principal. Esperamos que o capital privado continue a investir, particularmente no mercado médio ou segmento de empresas de médio porte, e que continue o interesse em setores como transição energética, infraestrutura digital, saúde, tecnologia e inteligência artificial. Também se antecipa maior atividade em operações oportunísticas e ativos em dificuldades, especialmente em certos segmentos do setor imobiliário e da indústria”.
Essas tendências também são especialmente relevantes para a Colômbia, não apenas pelo crescente interesse dos investidores estrangeiros nos mercados emergentes, mas também pelas oportunidades que se abrem para as empresas colombianas que buscam se expandir internacionalmente, aproveitando as valorizações competitivas dos ativos no exterior. No país, os setores com maior potencial de investimento continuam sendo as energias renováveis e toda a cadeia de transição energética, impulsionados pela chegada de grandes players globais e pelas necessidades estruturais do mercado. A esses se somam os serviços financeiros, os seguros e as fintechs, bem como a tecnologia, o software e os setores industrial e minerador-energético, todos com amplo espaço para se consolidarem, se modernizarem e gerarem novo valor.
Um mercado que opera em contextos de incerteza política
A mudança de governo prevista para 2026 pode gerar pausas temporárias em algumas decisões, como costuma ocorrer em qualquer transição política. No entanto, como explica Rodríguez, “o mercado colombiano está acostumado a operar em contextos de incerteza política e, na prática, grande parte desse risco é gerenciado a partir dos contratos. As cláusulas MAC/MAE, que em inglês significam “mudança material adversa”, normalmente excluem mudanças políticas ou regulatórias gerais, e as proteções são transferidas para declarações e garantias, ajustes de preço e, em alguns casos, ganhos adicionais”. Mesmo assim, ele reconhece que as mudanças de governo costumam gerar pausas em investimentos de alto valor, especialmente em projetos intensivos em capital. “Nesses cenários, os investidores fortalecem as salvaguardas contratuais e buscam proteções adicionais, como seguros ou arbitragem internacional, sem que isso signifique que o mercado pare”, acrescentou.
Para as empresas colombianas, esse ambiente oferece oportunidades importantes, desde ativos com avaliações atraentes até processos de fechamento relativamente eficientes e um marco jurídico e um sistema dedicado à gestão e execução de indenizações contratuais confiáveis, com a arbitragem como ferramenta central. Mas também existem riscos: volatilidade regulatória, incerteza política e custos de dívida ainda elevados. Isso exige maior disciplina na estrutura financeira e na alocação de riscos.
Recomendações para navegar em um mercado exigente
Diante disso, as recomendações são claras. Primeiro, preparar-se antes de entrar no mercado: os vendedores devem fazer a devida diligência interna e os compradores devem estruturar bem seu investimento, pois a falta de preparação continua sendo uma das principais causas para que um negócio não seja fechado. Segundo, concentrar-se em investimentos estratégicos alinhados com o cerne do negócio e evitar a abordagem de crescer por crescer. E terceiro, contar desde o início com equipes jurídicas e financeiras especializadas, capazes de antecipar riscos, manter o controle da transação e alinhar expectativas. Em um mercado mais exigente, a qualidade do acompanhamento profissional pode ser a diferença entre fechar um acordo ou perder uma oportunidade.