A Chambers & Partners publicou a edição de 2027 do seu guia para a América Latina, o diretório que classifica os principais escritórios de advocacia e advogados da região há quase duas décadas. Para entender o que realmente mudou no mercado colombiano de um ano para o outro, comparamos a classificação da Banda 1 de cada uma das 17 áreas de atuação avaliadas pela Chambers no país com a classificação da Banda 1 registrada na edição de 2026. No Peru, a Banda 1 praticamente não se alterou. Já na Colômbia, seis áreas apresentaram mudanças significativas na Banda 1, quase todas devido ao crescimento orgânico, e não a transações corporativas.
Brigard Urrutia e Philippi, empatados na liderança; Pérez-Llorca vem logo atrás
Considerando cada aparição na Banda 1 por área de atuação, Brigard Urrutia e Philippi Prietocarrizosa Ferrero DU & Uría estão empatadas como as firmas com maior presença na banda mais alta da Colômbia, com seis áreas de atuação cada. Brigard Urrutia mantém suas posições em Direito Bancário e Financeiro, Mercado de Capitais, Direito Societário/Fusões e Aquisições, Projetos e Tecnologia, Mídia e Telecomunicações (TMT), e adiciona Direito da Concorrência/Antitruste neste ano. Philippi mantém suas posições em Direito Bancário e Financeiro, Direito Societário/Fusões e Aquisições, Resolução de Disputas, Energia e Recursos Naturais, Projetos e Direito Tributário.
Logo atrás, estão Pérez-Llorca e Posse Herrera Ruiz, com cinco áreas de atuação cada. O fato relevante é que Pérez-Llorca alcança esse número com duas adições significativas este ano: Direito Societário/Fusões e Aquisições, onde se junta a Brigard Urrutia, Martínez Quintero Mendoza González Laguado & De La Rosa, Philippi e Posse Herrera Ruiz (que no ano passado eram apenas quatro escritórios na Banda 1), e Energia e Recursos Naturais, onde entra ao lado de Philippi e Posse Herrera Ruiz, aumentando o número de escritórios no topo de dois para três. Este é o mesmo escritório que esta semana foi destacado como o escritório ibero-americano com o maior número de áreas de atuação na Banda 1 em toda a região, segundo o Chambers Latin America 2027, e a Colômbia confirma essa tendência: aqui, sua chegada não se dá por meio de uma fusão, como ocorreu com sua expansão no Peru via Miranda & Amado, mas por mérito próprio em duas áreas de atuação onde não ocupava posição na Banda 1 há um ano.
Propriedade Intelectual, de duas a cinco firmas no topo
A mudança mais drástica do ano ocorreu na área de Propriedade Intelectual. Em 2026, apenas Dentons Cárdenas & Cárdenas e Lloreda Camacho & Co. detinham a Banda 1. Em 2027, esse grupo mais que dobra: Baker McKenzie, Cavelier Abogados e OlarteMoure se juntam à categoria, totalizando cinco escritórios dividindo a banda mais alta. Esse salto redefine completamente a compreensão de quem lidera essa área na Colômbia e sugere que o mercado de patentes e marcas registradas tornou-se mais competitivo no topo do que era há apenas um ano. Esse mercado é impulsionado por regulamentações nas áreas farmacêutica, de bens de consumo e de combate à falsificação.
Ibarra Abogados Rimon Law, o escritório que está ficando para trás em duas frentes
Por outro lado, o escritório Ibarra Abogados Rimon Law foi o que mais perdeu terreno este ano, e em duas áreas de atuação simultaneamente. Em Direito da Concorrência/Antitruste, onde em 2026 dividia a Banda 1 com Esguerra JHR, este ano caiu para a Banda 2 e foi substituído no topo por Brigard Urrutia, que subiu junto com Esguerra JHR. Em Comércio Internacional/OMC, onde também dividia a Banda 1 com Araújo Ibarra Consultores Internacionales, agora está sozinho na Banda 2, ao lado de Brigard Urrutia, Pérez-Llorca e Posse Herrera Ruiz. Já Araújo Ibarra consolidou sua posição como o único escritório na Banda 1 nessa área de atuação.
TMT: Lloreda Camacho perde sua vaga compartilhada
Na área de TMT (Tecnologia, Mídia e Telecomunicações), Brigard Urrutia e Lloreda Camacho & Co compartilhavam a Banda 1 em 2026. Este ano, Lloreda Camacho desce para a Banda 2, juntando-se a BBGS Abogados e a ECIJA. Brigard Urrutia permanece como a única firma na Banda 1, um resultado surpreendente considerando que se trata de uma firma com uma prática em dados e regulamentação tão consolidada quanto a de Lloreda nas demais áreas (Mineração, Propriedade Intelectual e Ciências da Vida, onde mantém sua posição na Banda 1 sem alterações).
Outros movimentos: Seguros, Trabalho e Projetos
Mais três escritórios registraram expansões ocasionais na Banda 1. Em Seguros, Kennedys era o único escritório na Banda 1 há anos. Agora divide a liderança com Vélez Gutiérrez Abogados. Em Direito Trabalhista, Quintero y Quintero Asesores, reconhecido por sua atuação em negociação coletiva, junta-se ao trio de longa data formado por Alvarez, Liévano & Laserna, López & Asociados e Godoy (antigamente Godoy Córdoba). E em Projetos, Cuatrecasas entra na Banda 1 ao lado de Brigard Urrutia, Durán & Osorio e Philippi, que no ano passado eram apenas três escritórios no topo.
O que permanece intacto
As demais áreas do mapa colombiano permanecem inalteradas, com exatamente as mesmas firmas de um ano atrás: Direito Bancário e Financeiro (Brigard Urrutia, Garrigues, Pérez-Llorca), Mercado de Capitais (Brigard Urrutia, Pérez-Llorca), Resolução de Disputas (Philippi, Posse Herrera Ruiz), Mineração (Dentons Cárdenas & Cárdenas, Lloreda Camacho & Co), Ciências da Vida (somente Lloreda Camacho & Co), Direito Público (Arrieta Mantilla & Asociados, Durán & Osorio), Imobiliário (Pinilla, González & Prieto, Posse Herrera Ruiz) e Direito Tributário (Baker McKenzie, Godoy, Martínez Quintero Mendoza, Pérez-Llorca, Philippi, Posse Herrera Ruiz).
O que isso significa para escritórios de advocacia e departamentos jurídicos?
Para consultores jurídicos que buscam assessoria na Colômbia, a análise deste ano difere daquela do Peru: aqui, a Banda 1 está de fato mudando, principalmente devido ao crescimento genuíno das firmas, e não a fusões. As expansões em Propriedade Intelectual, Direito Societário/Fusões e Aquisições e Energia sugerem um mercado onde a competição pelos mandatos mais sofisticados está se intensificando no topo, enquanto o declínio de Ibarra Abogados Rimon Law e de Lloreda Camacho & Co em áreas de prática específicas envia um sinal claro para aqueles que buscam assessoria especificamente em Direito da Concorrência, Comércio Internacional ou Tecnologia, Mídia e Telecomunicações (TMT): a liderança da Banda 1 nessas três áreas não é mais a mesma do ano passado.
A edição de 2027 do Chambers Latin America revela, em última análise, um mercado colombiano mais dinâmico em seu segmento superior do que o peruano: oito das dezessete áreas avaliadas registraram mudanças significativas na Banda 1, um ritmo de movimentação que confirma que, mesmo em um mercado maduro como o da Colômbia, a primeira banda não é um lugar fixo.
Por Heidi Maldonado